CORONAVÍRUS – O avanço da doença e fragilidade do sistema de saúde de Roraima e de nossas fronteiras

Por Deputado Federal Edio Lopes

É cada vez maior a preocupação com o crescimento dos números que envolvem o novo coronavírus na China. O surgimento de novos casos ao redor do mundo tem assustado à todos. O Brasil está em alerta também e a nossa apreensão com Roraima é enorme por vários fatores.

O Estado está localizado numa região fragilizada. As fronteiras com a Guiana e Venezuela são vulneráveis e a saúde como um todo em Roraima, já há alguns anos, vem passando por dificuldades que só potencializam a urgência com a atenção que o Estado necessita no setor.

Na Venezuela, não é apenas a política e a economia que estão em colapso. A saúde daquele país vive uma situação de emergência humanitária. As condições sanitárias são terríveis. Há piora de vários indicadores, como o de mortalidade materna e infantil e a disseminação de doenças evitáveis por meio de vacinas, como sarampo e difteria, além do aumento da transmissão de doenças infecciosas como malária e tuberculose.

Apesar dos trabalhos realizados pela Operação Acolhida em Roraima, grande parte dos venezuelanos que chegam a Roraima não é atendida. É enorme o número de imigrantes, homens mulheres e crianças, que perambulam pelos municípios do interior, pelas ruas, praças e beiras de igarapés na capital. Com a imigração descontrolada, há impactos negativos disso principalmente na saúde. Vários relatórios de órgãos internacionais ligados à saúde alertam o Brasil sobre a preocupação com a imigração de pessoas mais carentes e doentes que se deslocam em busca de ajuda no Brasil, sobretudo em Roraima.

Já na Guiana, na fronteira do Bonfim com Lethem, é notório o intenso trânsito de estrangeiros, principalmente de chineses, que vivem dos negócios existentes ali e facilitados pela existência da área de livre comércio em Lethem. É intenso o volume de mercadorias e a quantidade de chineses comerciantes envolvidos nessas transações na região. Considerando todo o contexto do coronavírus ao redor do mundo, sobre os cuidados e alertas, nos preocupamos com esta realidade deste intercâmbio.

Outra preocupação nossa é com a fragilidade da saúde indígena nas comunidades, principalmente dos Ianomâmis, cuja resistência orgânica ao vírus de uma simples gripe já pode ser letal.

Roraima não tem condições de atender e combater a disseminação de doenças. Não existem leitos suficientes, faltam medicamentos, há deficiências no atendimento primário e especializado e o Estado, geograficamente, está distante dos grandes centros de referência em saúde.

Estamos preocupados com a situação e já apresentamos um documento ao Ministro da Saúde, Luiz Mandetta, pontuando esses argumentos. A exemplo do que o Governo anunciou sobre o alerta aos portos e aeroportos do país, controle esse inexistente em nossas fronteiras na Guiana e Venezuela, solicitamos urgência e prioridade na intensificação deste alerta também com o nosso Estado.

A entrada do novo coronavírus pelas nossas fronteiras poderia se transformar em uma tragédia sem precedentes.

 

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